Friday, January 23, 2009
Friday, June 02, 2006
Lágrimas sorridentes
Quantas vezes nesta vida
a nossa alma é ferida
e cantamos a soluçar...?
Quantas vezes nós nos rimos
escondendo o que sentimos
com vontade de chorar...?
a nossa alma é ferida
e cantamos a soluçar...?
Quantas vezes nós nos rimos
escondendo o que sentimos
com vontade de chorar...?
Wednesday, May 31, 2006
O verbo "Saber" conjugado no Intemporal
Eu sei
Que tu sabes
Que eu sei.
Também sei
Que tu me sabes dizer
Aquilo que eu sei.
Mas eu não sei
Se tu sabes,
Que eu não sei nada
E tu nada sabes,
Se não me souberes dizer
Aquilo que tu não sabes
Se eu sei
Que tu sabes
Que eu sei.
Também sei
Que tu me sabes dizer
Aquilo que eu sei.
Mas eu não sei
Se tu sabes,
Que eu não sei nada
E tu nada sabes,
Se não me souberes dizer
Aquilo que tu não sabes
Se eu sei
Wednesday, July 13, 2005
FAMEL
Hoje eu até parecia um daqueles motoqueiros a sério!
Passei a tarde na oficina de motos M.J.Paiva (antiga casa Simplicio) na marginal, na curva da poça, em S. João do estoril.
Ora a bela da Virago andava a fazer uns barulhos estranhos a nivel de aceleração e isso inquietou-me (afinal de contas ainda estou a pagar o crédito), pelo que fui verificar o que seria...
Desmonta daqui, afina dali, experimenta assim, vê lá se já está e de repente...
"Olha, olha... O senhor só tem um carburador a funcionar, tem aqui uma peça partida que não distribui em condições a admissão de combustivel pelos 2 carburadores."
"Ai sim? ...e isso dá para arranjar?"
"Tem que se mandar vir uma peça destas nova, está a ver, está partida..."
"Hmmm... não dá para colar?"
"Dá, mas para ficar em condições era melhor levar uma nova..."
"Quanto custa uma peça dessas nova?"
"É barato, deixe ver, ora 4... hmm, hmm... cento e... mais IVA, deixe ver, fica em 148 Euros, mais a mão de obra... Mas leva umas 2 semanas a vir"
"Olhe, já que está com os carburadores desmontados vamos colar essa peça a ver o que dá, e depois quando a outra vier eu volto cá para por uma nova..."
"Ah, não quer ficar sem mota não é... não me diga que também vai à concentração de Faro este Fim de semana?"
"Não Amigo, isso não é para mim, não gosto de grandes ajuntamentos... Além disso este fim de semana tenho que ir a Londres, vou a um casamento..."

Passadas 3 horas a 22.50 Euros por hora já estava na A5 a experimentar a colagem.
Funciona ás mil maravilhas! Dispara com os cavalos todos no chão... e a velocidade de ponta que eu julgava que eram 130Km/h afinal são 180Km/h!
Se a minha mota não fosse uma Yamaha eu gostava que fosse uma FAMEL, porque...
-Foda-se A Mota É Linda!
Depois fui a Paço de Arcos tomar um café e lembrei-me que tinha esta foto algures.
Passei a tarde na oficina de motos M.J.Paiva (antiga casa Simplicio) na marginal, na curva da poça, em S. João do estoril.
Ora a bela da Virago andava a fazer uns barulhos estranhos a nivel de aceleração e isso inquietou-me (afinal de contas ainda estou a pagar o crédito), pelo que fui verificar o que seria...
Desmonta daqui, afina dali, experimenta assim, vê lá se já está e de repente...
"Olha, olha... O senhor só tem um carburador a funcionar, tem aqui uma peça partida que não distribui em condições a admissão de combustivel pelos 2 carburadores."
"Ai sim? ...e isso dá para arranjar?"
"Tem que se mandar vir uma peça destas nova, está a ver, está partida..."
"Hmmm... não dá para colar?"
"Dá, mas para ficar em condições era melhor levar uma nova..."
"Quanto custa uma peça dessas nova?"
"É barato, deixe ver, ora 4... hmm, hmm... cento e... mais IVA, deixe ver, fica em 148 Euros, mais a mão de obra... Mas leva umas 2 semanas a vir"
"Olhe, já que está com os carburadores desmontados vamos colar essa peça a ver o que dá, e depois quando a outra vier eu volto cá para por uma nova..."
"Ah, não quer ficar sem mota não é... não me diga que também vai à concentração de Faro este Fim de semana?"
"Não Amigo, isso não é para mim, não gosto de grandes ajuntamentos... Além disso este fim de semana tenho que ir a Londres, vou a um casamento..."

Passadas 3 horas a 22.50 Euros por hora já estava na A5 a experimentar a colagem.
Funciona ás mil maravilhas! Dispara com os cavalos todos no chão... e a velocidade de ponta que eu julgava que eram 130Km/h afinal são 180Km/h!
Se a minha mota não fosse uma Yamaha eu gostava que fosse uma FAMEL, porque...
-Foda-se A Mota É Linda!
Depois fui a Paço de Arcos tomar um café e lembrei-me que tinha esta foto algures.
Tuesday, June 21, 2005
A palavra não tem dono
Escrevi hoje este poema
À hora certa desta data
Mas eu não lhe dou um tema
Que é poema e não é acta
Escrito “on-line” e em directo
Sem ninguém para confirmar
Que me inspirei a olhar para o tecto
Sem sequer me preocupar
Se têm dono as palavras
Que eu escrevo em verso emparelhado
Escrevo diferente de outras lavras
Que escrevem verso desamparado
…e se me quiserem copiar
Se acharem que valho a pena
Até o podem registar
Que é apenas um poema
São meras palavras sem mestre
Sem registo na S.P.A.
Verso vão, vadio e agreste
E como este tantos há
Que me perdoe a Encandescente
Por este atrevimento a rimar
O meu blog é de toda a gente
No dela nem comentar
Escrevo sobre o que quiser
Sobre mim ou sobre o Mar
Escrevo venha quem vier
Que me queira censurar
Trago a inspiração nos olhos
Na memória dos meus fados
Escrevo palavras aos molhos
Que às vezes li noutros lados
Porque a palavra não tem donos
É de quem a agarrar
Sejam autores, não sejam donos
Deixem a escrita respirar
À hora certa desta data
Mas eu não lhe dou um tema
Que é poema e não é acta
Escrito “on-line” e em directo
Sem ninguém para confirmar
Que me inspirei a olhar para o tecto
Sem sequer me preocupar
Se têm dono as palavras
Que eu escrevo em verso emparelhado
Escrevo diferente de outras lavras
Que escrevem verso desamparado
…e se me quiserem copiar
Se acharem que valho a pena
Até o podem registar
Que é apenas um poema
São meras palavras sem mestre
Sem registo na S.P.A.
Verso vão, vadio e agreste
E como este tantos há
Que me perdoe a Encandescente
Por este atrevimento a rimar
O meu blog é de toda a gente
No dela nem comentar
Escrevo sobre o que quiser
Sobre mim ou sobre o Mar
Escrevo venha quem vier
Que me queira censurar
Trago a inspiração nos olhos
Na memória dos meus fados
Escrevo palavras aos molhos
Que às vezes li noutros lados
Porque a palavra não tem donos
É de quem a agarrar
Sejam autores, não sejam donos
Deixem a escrita respirar
Vontade de escrever

Apetece-me escrever
Deixar a escrita voar
Escrever palavras já lidas
Poema escrito a dizer
Que escrever é como amar
Que a escrita me fecha as feridas
O sangue faz-se caneta
Tinteiro perpétuo em mim
Que a mão está agarrada
À pena que é baioneta
Pois só sei escrever assim
Palavras à desgarrada
Gostava de escrever bem
De escrever palavras com vida
Mas se a vida se faz dor
Eu escrevo o nome de alguém
Palavra que me é querida
E da escrita faço amor
Não sei se é bom ou mau
Se é causa ou solução
Mas é vontade de escrever
Escrever na areia com um pau
Gravar um nome no coração
Deixa-lo lá até morrer
Monday, June 20, 2005
Sunday, February 27, 2005
Sunday, February 20, 2005
Debut I a VII
Debut
O princípio em mim
É inspirar
Não ser
Expirar
E só parecer
O princípio de mim
É respirar
Ficar de ir
E em princípio
Não voltar
Viver assim
Sem chegar a partir
Porque o princípio
É o fim
1993
Debut II
O princípio de mim
É o fim
Inspirar excitação
Expirar insegurança
Respirar confiança
Ofegar em depressão
É o princípio do fim
O fim de mim
Função debutante
Instinto abandonado
Orgulho vincado
Ira constante
Porque o princípio
Não tem fim
1995
Debut III
O princípio sem mim
É não ser
Acontecer sem querer
Fazer por ser
Sem ser só parecer
Respirar a sonhar
Inspirar e partir
Adormecer a sorrir
Expirar ao voltar
O princípio não tem fim
É um dia de cada vez
Num dia começa talvez
O princípio do fim
O fim de mim
1997
Debut IV
(não sei onde está o original manuscrito)
1999
Debut V
O princípio p’ra mim
Já passou
Futuro que me inspirou
Aconteceu por eu querer
Num passado expirado
Sem ter medo de morrer
Foi o princípio de mim
Porque fui até ao fim
Viagem esquecida
De onde regresso enfim
Tornei-me durante a vida
Naquilo que hoje sou
E o princípio continuou
Sem nunca chegar ao fim
2001
Debut VI
O princípio por mim
É voltar
E começar a lutar
Para poder respirar
É o princípio sem fim
Motivação acumulada
Com vontade de vencer
Viver a vida desvairada
Venha lá o que vier
Para nunca me esquecer
Que o princípio não tem fim
Não tem cheiro, nem tem cor
È o princípio do esplendor
Do princípio até ao fim
2003
Debut VII
O princípio está em mim
Começou e acabou
Sem querer chegar ao fim
E arrastou-se pendurado
No que foi feito por mim
Respirou e avançou
É asmático preocupado
Com o orgulho carmesim
A tomar conta de mim
Mas o vigor desgovernado
No princípio encontrado
Mesmo que descontrolado
Nunca chegará ao fim
Porque o princípio é assim
2005
O princípio em mim
É inspirar
Não ser
Expirar
E só parecer
O princípio de mim
É respirar
Ficar de ir
E em princípio
Não voltar
Viver assim
Sem chegar a partir
Porque o princípio
É o fim
1993
Debut II
O princípio de mim
É o fim
Inspirar excitação
Expirar insegurança
Respirar confiança
Ofegar em depressão
É o princípio do fim
O fim de mim
Função debutante
Instinto abandonado
Orgulho vincado
Ira constante
Porque o princípio
Não tem fim
1995
Debut III
O princípio sem mim
É não ser
Acontecer sem querer
Fazer por ser
Sem ser só parecer
Respirar a sonhar
Inspirar e partir
Adormecer a sorrir
Expirar ao voltar
O princípio não tem fim
É um dia de cada vez
Num dia começa talvez
O princípio do fim
O fim de mim
1997
Debut IV
(não sei onde está o original manuscrito)
1999
Debut V
O princípio p’ra mim
Já passou
Futuro que me inspirou
Aconteceu por eu querer
Num passado expirado
Sem ter medo de morrer
Foi o princípio de mim
Porque fui até ao fim
Viagem esquecida
De onde regresso enfim
Tornei-me durante a vida
Naquilo que hoje sou
E o princípio continuou
Sem nunca chegar ao fim
2001
Debut VI
O princípio por mim
É voltar
E começar a lutar
Para poder respirar
É o princípio sem fim
Motivação acumulada
Com vontade de vencer
Viver a vida desvairada
Venha lá o que vier
Para nunca me esquecer
Que o princípio não tem fim
Não tem cheiro, nem tem cor
È o princípio do esplendor
Do princípio até ao fim
2003
Debut VII
O princípio está em mim
Começou e acabou
Sem querer chegar ao fim
E arrastou-se pendurado
No que foi feito por mim
Respirou e avançou
É asmático preocupado
Com o orgulho carmesim
A tomar conta de mim
Mas o vigor desgovernado
No princípio encontrado
Mesmo que descontrolado
Nunca chegará ao fim
Porque o princípio é assim
2005
Quero
Quero ver o sol nascer
Antes da noite morrer
E cegar a minha vista
De tanto o sol fixar
Para que a noite resista
Antes do dia chegar
Quero sentir-me no mar
E para longe nadar
Como uma baleia forte
Do arpão frio fugir
E rumar direito ao norte
Leão marinho a rugir
Quero perder-me na floresta
E viver o que me resta
Numa árvore encantada
A deleitar-me com a maçã
E matar a serpente malvada
Com o orvalho da manhã
Quero abandonar a cidade
Envelhecida pela idade
Para não ser um cidadão
Num automóvel veloz
A rolar no alcatrão
E matar num crime atroz
Quero voar em Fevereiro
Apagar um ano inteiro
Sou uma águia a voar
E viajo pelo céu
Livre para aterrar
Sem ter medo de ser réu
Quero ver neve a cair
Ter vontade de sorrir
Encostar-me naquele peito
E sentir-me protegido
Com a mulher com que me deito
A murmurar-me ao ouvido
Quero ser só eu
Francisco, Paco ou Amadeu
E gritar ao infinito
Berrar e ficar rouco
Unido num só grito
Este meu nome de louco
Antes da noite morrer
E cegar a minha vista
De tanto o sol fixar
Para que a noite resista
Antes do dia chegar
Quero sentir-me no mar
E para longe nadar
Como uma baleia forte
Do arpão frio fugir
E rumar direito ao norte
Leão marinho a rugir
Quero perder-me na floresta
E viver o que me resta
Numa árvore encantada
A deleitar-me com a maçã
E matar a serpente malvada
Com o orvalho da manhã
Quero abandonar a cidade
Envelhecida pela idade
Para não ser um cidadão
Num automóvel veloz
A rolar no alcatrão
E matar num crime atroz
Quero voar em Fevereiro
Apagar um ano inteiro
Sou uma águia a voar
E viajo pelo céu
Livre para aterrar
Sem ter medo de ser réu
Quero ver neve a cair
Ter vontade de sorrir
Encostar-me naquele peito
E sentir-me protegido
Com a mulher com que me deito
A murmurar-me ao ouvido
Quero ser só eu
Francisco, Paco ou Amadeu
E gritar ao infinito
Berrar e ficar rouco
Unido num só grito
Este meu nome de louco
Soldados de Chumbo
Soldado que vais partir
Para uma guerra sem fim
Que juras bandeira a sorrir
Sem esperança de regresso
Não deves partir assim
Mas não sou eu que te impeço
Soldado do povo operário
És Mecânico ou construtor
Motorista, Engenheiro agrário
És aluno e eu Professor
Soldado que és inocente
E tens a vitória na mente
Vais morrer em terra amarga
Carne p’ra canhão “-À carga!”
Vela a chorar a tua mãe
Não sinto pena de ti
Que eu vou para a guerra também
E a minha morte previ
Agora cadáveres no chão
Perdemos a vida em vão
Fomos alvos de canhão
Não soubemos dizer não
Para uma guerra sem fim
Que juras bandeira a sorrir
Sem esperança de regresso
Não deves partir assim
Mas não sou eu que te impeço
Soldado do povo operário
És Mecânico ou construtor
Motorista, Engenheiro agrário
És aluno e eu Professor
Soldado que és inocente
E tens a vitória na mente
Vais morrer em terra amarga
Carne p’ra canhão “-À carga!”
Vela a chorar a tua mãe
Não sinto pena de ti
Que eu vou para a guerra também
E a minha morte previ
Agora cadáveres no chão
Perdemos a vida em vão
Fomos alvos de canhão
Não soubemos dizer não
Na Brasileira
Vestida de luz, ensolarada
Com uma caneta na mão
Sentada, a perna cruzada
No meio da multidão
Olho para ti disfarçado
O teu gesto é doce e lento
Cabelo escuro e risca ao lado
Penteada pelo vento
Diz-me para onde vais
Não sei porque estás aqui
Nesta margem, neste cais
O que é escrever p’ra ti ?
Olhas p’ra mim descarada
Tenho um perfil d’Aquilino
Que eu sou tudo e não sou nada
Com esta pinta de Latino
Dois estranhos inspirados
Com vontade de escrever
Neste bairro feito em fados
Sem saber o que dizer
Numa esplanada sentados
Nesta rua de Lisboa
A escrever compenetrados
Eu e tu e o Pessoa
De que cor são os teus olhos ?
- De sorrisos para mim !
Os teus seios são dois molhos
Simplesmente os vejo assim
Tenho vontade de riscar
Estes meus versos roubados
À delicadeza do teu ar
Aos teus olhares cruzados
Os teus olhos cor do mel
Já os vi olhar p’ra mim
Levantados do papel
Lêem-me do princípio ao fim
O que escreves tu não sei
Já fechaste a tua carta
Mas com palavras te toquei
Perguntei, chamas-te Marta
E com um sorriso vestida
Cheia de brilho no olhar
Deste cor à minha vida
Resolveste aqui ficar
E a conversar divagámos
A misturar o som da voz
De tudo um pouco falámos
De ti, de mim e de nós
Fez-se de fogo esta tarde
Para escrever um sarrabisco
E disse como quem arde
Que há quem me chame Francisco
E se chegar ao fim o dia
Nesta cidade, neste cais
Que digas adeus e que eu sorria
Até sempre ou nunca mais
Com uma caneta na mão
Sentada, a perna cruzada
No meio da multidão
Olho para ti disfarçado
O teu gesto é doce e lento
Cabelo escuro e risca ao lado
Penteada pelo vento
Diz-me para onde vais
Não sei porque estás aqui
Nesta margem, neste cais
O que é escrever p’ra ti ?
Olhas p’ra mim descarada
Tenho um perfil d’Aquilino
Que eu sou tudo e não sou nada
Com esta pinta de Latino
Dois estranhos inspirados
Com vontade de escrever
Neste bairro feito em fados
Sem saber o que dizer
Numa esplanada sentados
Nesta rua de Lisboa
A escrever compenetrados
Eu e tu e o Pessoa
De que cor são os teus olhos ?
- De sorrisos para mim !
Os teus seios são dois molhos
Simplesmente os vejo assim
Tenho vontade de riscar
Estes meus versos roubados
À delicadeza do teu ar
Aos teus olhares cruzados
Os teus olhos cor do mel
Já os vi olhar p’ra mim
Levantados do papel
Lêem-me do princípio ao fim
O que escreves tu não sei
Já fechaste a tua carta
Mas com palavras te toquei
Perguntei, chamas-te Marta
E com um sorriso vestida
Cheia de brilho no olhar
Deste cor à minha vida
Resolveste aqui ficar
E a conversar divagámos
A misturar o som da voz
De tudo um pouco falámos
De ti, de mim e de nós
Fez-se de fogo esta tarde
Para escrever um sarrabisco
E disse como quem arde
Que há quem me chame Francisco
E se chegar ao fim o dia
Nesta cidade, neste cais
Que digas adeus e que eu sorria
Até sempre ou nunca mais
Não tinha que ser assim
Não tinha que ser assim
Perdi sonhos
perdi tudo
O que possa dizer que sim
Que voa
voa alto e mudo
e contudo
Não tinha que ser assim
Tão vazio
tão sem cor
O que vive dentro de mim
Que magoa
magoa sem dor
mas
Não tinha que ser assim
Como um cão
cão abatido
Lágrimas perdidas de jasmim
Que choro
choro sem sentido
porque
Não tinha que ser assim
Bravas flores
bravas sem fim
Plantadas murchas no meu jardim
Que triste chora
chora por mim
pois
Não tinha que ser assim
Sem chuva
sem vontade
Só o cheiro do alecrim
Que morre
morre de saudade
afinal
Não tinha que ser assim
E foi
foi o que aconteceu
Como um raio sobre mim
E fiquei só
só como eu
e choro
Perdi sonhos
perdi tudo
O que possa dizer que sim
Que voa
voa alto e mudo
e contudo
Não tinha que ser assim
Tão vazio
tão sem cor
O que vive dentro de mim
Que magoa
magoa sem dor
mas
Não tinha que ser assim
Como um cão
cão abatido
Lágrimas perdidas de jasmim
Que choro
choro sem sentido
porque
Não tinha que ser assim
Bravas flores
bravas sem fim
Plantadas murchas no meu jardim
Que triste chora
chora por mim
pois
Não tinha que ser assim
Sem chuva
sem vontade
Só o cheiro do alecrim
Que morre
morre de saudade
afinal
Não tinha que ser assim
E foi
foi o que aconteceu
Como um raio sobre mim
E fiquei só
só como eu
e choro
Chuva
Já veio a chuva
Vai lavar a dor
A noite como uma luva
Trouxe um novo amor
A secura vai passar
A vida vai continuar
Há energia no ar
E ao longe o som do mar
Cantam os rebentos
Flores que vão nascer
Flores aos quatro ventos
Sinto-me rejuvenescer
Doce como um bago de uva
Já chegou a chuva
Vai lavar a dor
A noite como uma luva
Trouxe um novo amor
A secura vai passar
A vida vai continuar
Há energia no ar
E ao longe o som do mar
Cantam os rebentos
Flores que vão nascer
Flores aos quatro ventos
Sinto-me rejuvenescer
Doce como um bago de uva
Já chegou a chuva
Fernando Arménio das Neves
Ò tu, perdido no espaço
Sem lugar para fugir
Sozinho no tempo, estás a ouvir?
Aceita o meu abraço
Esperança sofrida na noite
A cintilar em fundo negro
Raiva escondida no silêncio
Em brumas de ódio vivo
Ò tu que sorris triste
Tu que chamas por mim
Ergue-te de punhos em riste
Não te deixes morrer assim
Alma cansada a vaguear
Em marés de orgulho morto
Corpo distorcido pela dor
Olhos vermelhos a chorar
Ò tu que és tão alto
É tão grande o teu saber
Juntos demos um salto
Eu não te quero perder
Infância arrancada da vida
perdida a luz sem respeito
pelas ruas arrastada a pedir
a tua fúria de viver
Ò tu que não queres morrer
Agarra esse fio de vida
Mas lá do céu tu vais ver
Eu não te esqueço, amizade querida
Sem lugar para fugir
Sozinho no tempo, estás a ouvir?
Aceita o meu abraço
Esperança sofrida na noite
A cintilar em fundo negro
Raiva escondida no silêncio
Em brumas de ódio vivo
Ò tu que sorris triste
Tu que chamas por mim
Ergue-te de punhos em riste
Não te deixes morrer assim
Alma cansada a vaguear
Em marés de orgulho morto
Corpo distorcido pela dor
Olhos vermelhos a chorar
Ò tu que és tão alto
É tão grande o teu saber
Juntos demos um salto
Eu não te quero perder
Infância arrancada da vida
perdida a luz sem respeito
pelas ruas arrastada a pedir
a tua fúria de viver
Ò tu que não queres morrer
Agarra esse fio de vida
Mas lá do céu tu vais ver
Eu não te esqueço, amizade querida
Funchal By Night
Parti a voar sobre o mar
Vida nova um escravo à solta
Um homem condenado a ficar
Ave migratória sem volta
Deixei com a mãe o meu João
Na ilha pequena a chorar
E bebo saudades num copo de Dão
Quando venho de trabalhar
Trago na memória um pranto
Na maré de porto santo
E o mar à minha beira
Trago nas mãos chagas abertas
E juro pelas ilhas desertas
Que hei de ir morrer à Madeira
Vida nova um escravo à solta
Um homem condenado a ficar
Ave migratória sem volta
Deixei com a mãe o meu João
Na ilha pequena a chorar
E bebo saudades num copo de Dão
Quando venho de trabalhar
Trago na memória um pranto
Na maré de porto santo
E o mar à minha beira
Trago nas mãos chagas abertas
E juro pelas ilhas desertas
Que hei de ir morrer à Madeira
A Bi-Su-Cleta
Lá vai a Su de bicicleta
A pedalar sem parar
Não consegue ficar quieta
Na bicicleta cor do mar
Faz tocar a campainha
Pára no sinal vermelho
Ultrapassa uma carrinha
Olha para trás no espelho
E continua a pedalar
Por entre ruas e vielas
Mas quando tem que travar
Ai Jesus é que são elas
Tem um cesto no volante
E no atrelado um gato
Ia à festa do avante
Mas ficou-se pelo Rato
Voltou para casa em linha recta
Vai para a cama descansar
E adormece com a bicicleta
Que amanhã vai pedalar
A pedalar sem parar
Não consegue ficar quieta
Na bicicleta cor do mar
Faz tocar a campainha
Pára no sinal vermelho
Ultrapassa uma carrinha
Olha para trás no espelho
E continua a pedalar
Por entre ruas e vielas
Mas quando tem que travar
Ai Jesus é que são elas
Tem um cesto no volante
E no atrelado um gato
Ia à festa do avante
Mas ficou-se pelo Rato
Voltou para casa em linha recta
Vai para a cama descansar
E adormece com a bicicleta
Que amanhã vai pedalar
Wednesday, December 29, 2004
...de Passagem
Sentei-me neste lugar
A ver a gente passar
Gente que passa por aqui
Que passou mas eu não vi
Que surge do espaço vazio
A multidão como um rio
É gente que vai, gente que vem
Que corre daqui p’r’além
Passam senhoras bem vestidas
E crianças em corridas
Passam estudantes a correr
Com muitos livros p’ra ler
Um amigo aqui passou
Foi andando e não parou
Passa o jovem e o reformado
Um ceguinho e um aleijado
Passa o padre e o operário
Passa o Zé e passa o Mário
Passou alguém de bicicleta
E um cão em linha recta
Outra passa no cigarro
Quando passa mais um carro
Passa alguém da minha idade
Todo cheio de vaidade
Passa a música no rádio
ou o futebol no estádio
Passa tudo o que eu quiser
E tudo mais o que vier
Passam lindas raparigas
Tatuadas nas barrigas
Passam com saias de roda
Passa o gosto e passa a moda
Passam turistas estrangeiros
Passam aromas e cheiros
Passa a brisa pelo ar
Folhas secas a voar
Passam palavras perdidas
E memórias esquecidas
Passa o bafo do calor
E já passou a minha dor
Passa um Sol de abrasar
E ao longe o som do mar
Passa o tempo muito lento
Passa gente e passa o vento
Passa a vida e eu não vejo
Para onde vai o Tejo
Passa um comboio a apitar
E outro que vai a chegar
Passa a gente da Cidade
E passou perto a liberdade
Passa assim o mês de Abril
Em S. João do Estoril
O meu café já o bebi
Passou o dia e eu aqui
A ver a gente passar
Gente que passa por aqui
Que passou mas eu não vi
Que surge do espaço vazio
A multidão como um rio
É gente que vai, gente que vem
Que corre daqui p’r’além
Passam senhoras bem vestidas
E crianças em corridas
Passam estudantes a correr
Com muitos livros p’ra ler
Um amigo aqui passou
Foi andando e não parou
Passa o jovem e o reformado
Um ceguinho e um aleijado
Passa o padre e o operário
Passa o Zé e passa o Mário
Passou alguém de bicicleta
E um cão em linha recta
Outra passa no cigarro
Quando passa mais um carro
Passa alguém da minha idade
Todo cheio de vaidade
Passa a música no rádio
ou o futebol no estádio
Passa tudo o que eu quiser
E tudo mais o que vier
Passam lindas raparigas
Tatuadas nas barrigas
Passam com saias de roda
Passa o gosto e passa a moda
Passam turistas estrangeiros
Passam aromas e cheiros
Passa a brisa pelo ar
Folhas secas a voar
Passam palavras perdidas
E memórias esquecidas
Passa o bafo do calor
E já passou a minha dor
Passa um Sol de abrasar
E ao longe o som do mar
Passa o tempo muito lento
Passa gente e passa o vento
Passa a vida e eu não vejo
Para onde vai o Tejo
Passa um comboio a apitar
E outro que vai a chegar
Passa a gente da Cidade
E passou perto a liberdade
Passa assim o mês de Abril
Em S. João do Estoril
O meu café já o bebi
Passou o dia e eu aqui
O mensageiro de Leningraad
Montado num cavalo de vento
Galopa no frio do norte
Rasga imponente o firmamento
É o mensageiro da morte
Nos olhos a cor do inferno
E fogo no olhar
Mandou o General Inverno
Para os exércitos derrotar
De estrela vermelha ao peito
Vai deixar ensanguentada
Sem honra glória ou respeito
Uma cruz negra e gamada
No cerco a Leningraad
900 dias de horror
Libertou esta cidade
E ao Neva mudou a cor
Jazem os corpos no chão
Filhos de um ditador louco
Que mandou mais de um milhão
Como Napoleão um pouco
Mancham com o seu sangue a neve
Num cruel palco de guerra
Onde o sol nunca se atreve
A passar além da serra
Chorem filhos, chorem mães
Pelos soldados destemidos
Abandonados, abatidos como cães
Morrem de frio em gemidos
Galopa no frio do norte
Rasga imponente o firmamento
É o mensageiro da morte
Nos olhos a cor do inferno
E fogo no olhar
Mandou o General Inverno
Para os exércitos derrotar
De estrela vermelha ao peito
Vai deixar ensanguentada
Sem honra glória ou respeito
Uma cruz negra e gamada
No cerco a Leningraad
900 dias de horror
Libertou esta cidade
E ao Neva mudou a cor
Jazem os corpos no chão
Filhos de um ditador louco
Que mandou mais de um milhão
Como Napoleão um pouco
Mancham com o seu sangue a neve
Num cruel palco de guerra
Onde o sol nunca se atreve
A passar além da serra
Chorem filhos, chorem mães
Pelos soldados destemidos
Abandonados, abatidos como cães
Morrem de frio em gemidos
34 Verões
Despertar do amanhecer e do vento
Traz a força do sentimento.
Das desventuras destrutivas
Faço aventuras construtivas,
Um novo olhar, um sorriso
Nova vontade de viver,
Vida nova e mais juízo
Um cruzado a combater.
Quero despertar novos destinos.
Longe a tristeza torcionária
Que em mim vejo, prisão assim…
Fugir dos maus caminhos.
Longe a amargura solitária
Que faz parte de mim…
--------------------------
Ao sabor do vento violento,
Soltar o cabelo e a mente,
Para que a vida me tente
A não correr contra o vento.
Vou lutar por mim, por tudo
Que a vida queira que sim.
Leão que sobrevive e contudo
Me ajuda a viver assim.
No espaço enfim encontrado
O passado sempre escondido,
Recuperar o tempo perdido…
No coração despedaçado
A vontade de avançar,
Fazer tudo por ganhar!
--------------------------
Marco um ferro no orgulho
Entro na vida de mergulho
E o amanhã passo a olhar
Sem ter medo de chorar.
Um saber de vida feito,
De experiência acumulada
Numa vida tão sem jeito
Até agora malfadada.
Vida feita a descobrir
Em que a tudo acho graça
Mas que só vem distrair…
34 Verões a sorrir,
Mas cada ano que passa,
só serve p’ra me confundir…
Traz a força do sentimento.
Das desventuras destrutivas
Faço aventuras construtivas,
Um novo olhar, um sorriso
Nova vontade de viver,
Vida nova e mais juízo
Um cruzado a combater.
Quero despertar novos destinos.
Longe a tristeza torcionária
Que em mim vejo, prisão assim…
Fugir dos maus caminhos.
Longe a amargura solitária
Que faz parte de mim…
--------------------------
Ao sabor do vento violento,
Soltar o cabelo e a mente,
Para que a vida me tente
A não correr contra o vento.
Vou lutar por mim, por tudo
Que a vida queira que sim.
Leão que sobrevive e contudo
Me ajuda a viver assim.
No espaço enfim encontrado
O passado sempre escondido,
Recuperar o tempo perdido…
No coração despedaçado
A vontade de avançar,
Fazer tudo por ganhar!
--------------------------
Marco um ferro no orgulho
Entro na vida de mergulho
E o amanhã passo a olhar
Sem ter medo de chorar.
Um saber de vida feito,
De experiência acumulada
Numa vida tão sem jeito
Até agora malfadada.
Vida feita a descobrir
Em que a tudo acho graça
Mas que só vem distrair…
34 Verões a sorrir,
Mas cada ano que passa,
só serve p’ra me confundir…
Leito da Morte
Sou o último raio de sol
Um grito d’alma, um rosto cego
Brilhei, brilhei muito
Agora sou só uma luz na escuridão
Sou doença no leito de morte dum poeta
Uma graça escrita com o tremer da mão
Porque já poeta não sou
E se choro, e se rio
E não sei para onde vou
Não fico preso à vida
Nos braços da morte eu já estou
Quero ver o mar antes de morrer
E choro vagas secas que molham o meu rosto
Areia a escorrer em lágrimas sem sal
Quero ouvir estrelas sem brilho no meu olhar
E ergo a cabeça num esforço de suspirar
Pela memoria daquela luz
Que a saudade quer matar
Não me arrependo da vida que levei
Porque não mereço morrer
Tendo passado o que passei
Sou esquecido, imperdoado
O mundo não chora por mim
Fui tirano, sou condenado
A ter que morrer assim
Um poeta louco até na morte
E por pouco que me importe
Vou morrendo pouco a pouco por ser louco
Vejo a voz da morte chegar, trevas que me estão a chamar
Sinto o vento que me arrepia o cabelo
Mas só as veias do crânio poderia afagar
Se o meu derradeiro gesto fosse mais que suspirar
A minha alma gritou
O meu corpo ficou frio
Já não sou um raio de sol
Um grito d’alma, um rosto cego
Brilhei, brilhei muito
Agora sou só uma luz na escuridão
Sou doença no leito de morte dum poeta
Uma graça escrita com o tremer da mão
Porque já poeta não sou
E se choro, e se rio
E não sei para onde vou
Não fico preso à vida
Nos braços da morte eu já estou
Quero ver o mar antes de morrer
E choro vagas secas que molham o meu rosto
Areia a escorrer em lágrimas sem sal
Quero ouvir estrelas sem brilho no meu olhar
E ergo a cabeça num esforço de suspirar
Pela memoria daquela luz
Que a saudade quer matar
Não me arrependo da vida que levei
Porque não mereço morrer
Tendo passado o que passei
Sou esquecido, imperdoado
O mundo não chora por mim
Fui tirano, sou condenado
A ter que morrer assim
Um poeta louco até na morte
E por pouco que me importe
Vou morrendo pouco a pouco por ser louco
Vejo a voz da morte chegar, trevas que me estão a chamar
Sinto o vento que me arrepia o cabelo
Mas só as veias do crânio poderia afagar
Se o meu derradeiro gesto fosse mais que suspirar
A minha alma gritou
O meu corpo ficou frio
Já não sou um raio de sol
A Ponte
Sobre as margens do rio
Está a ponte imponente
Ergue-se o metal frio
Que me leva sempre em frente
Passo a ponte montado
Num pássaro negro azarado
E antes de chegar ao fim
O céu ri-se de mim
A ponte é um canalha
Leva-me para onde calha
Como uma porta aberta
Leva-me sempre à certa
Mesmo abaixo da ponte
O Tejo como uma fonte
Sabedoria e inspiração
Desperta no coração
Deixo Lisboa para trás
Para onde vou tanto faz
E pela ponte onde passo
Penso nos versos que faço
Sou um louco a montar
No meu cavalo de metal
Pela estrada ou junto ao mar
Ou sobre a ponte infernal
Pela ponte passei, voei
Sobre um barco e o pescador
E em frente continuei
Numa tarde de calor
Está a ponte imponente
Ergue-se o metal frio
Que me leva sempre em frente
Passo a ponte montado
Num pássaro negro azarado
E antes de chegar ao fim
O céu ri-se de mim
A ponte é um canalha
Leva-me para onde calha
Como uma porta aberta
Leva-me sempre à certa
Mesmo abaixo da ponte
O Tejo como uma fonte
Sabedoria e inspiração
Desperta no coração
Deixo Lisboa para trás
Para onde vou tanto faz
E pela ponte onde passo
Penso nos versos que faço
Sou um louco a montar
No meu cavalo de metal
Pela estrada ou junto ao mar
Ou sobre a ponte infernal
Pela ponte passei, voei
Sobre um barco e o pescador
E em frente continuei
Numa tarde de calor
A Balada do Miratejo
Do alto da colina vejo o Tejo
Corre lento imenso de vagar
Percorro com o olhar tudo o que vejo
Os prédios, as ruas e os carros a passar
Escondido num canto escuro
Emboscado como um predador
Tenho o coração frio e duro
E a alma cortada pela dor
A luz reflecte na agua suja
A janela do segundo piso
Não sei se olhe fique o fuja
Ou esboce apenas um sorriso
Na boca o sabor da traição
E noutra boca o meu sabor
Como um bandido ou um ladrão
Um Grenouille sem odor
Cintila Lisboa alem rio
E ela passa sem me ver
Como uma bomba sem pavio
Juro vingança, começo a correr
Olhos nos olhos, sem brilho no olhar
Aponto as palavras ao peito
Abro a boca, começo a disparar
Mato o orgulho em sangue feito
Este é o sabor da vingança
Um prato que se serve frio
E ficou orfã uma criança
No assassínio à beira rio
Corre lento imenso de vagar
Percorro com o olhar tudo o que vejo
Os prédios, as ruas e os carros a passar
Escondido num canto escuro
Emboscado como um predador
Tenho o coração frio e duro
E a alma cortada pela dor
A luz reflecte na agua suja
A janela do segundo piso
Não sei se olhe fique o fuja
Ou esboce apenas um sorriso
Na boca o sabor da traição
E noutra boca o meu sabor
Como um bandido ou um ladrão
Um Grenouille sem odor
Cintila Lisboa alem rio
E ela passa sem me ver
Como uma bomba sem pavio
Juro vingança, começo a correr
Olhos nos olhos, sem brilho no olhar
Aponto as palavras ao peito
Abro a boca, começo a disparar
Mato o orgulho em sangue feito
Este é o sabor da vingança
Um prato que se serve frio
E ficou orfã uma criança
No assassínio à beira rio
Girassol ao fim do dia
“-Claro que tenho a noção de que preciso de tomar banho e fazer a barba…”
…e quase me fui embora daqui
Pois não gostei do que ouvi
Senti-me algo deslocado
Como que desenquadrado
Magôa o meu ar de ressaca
O aspecto lavado do povo
Ambiente cortado à faca
E eu preciso é dum ar novo
Gente que não me diz nada
Conhecidos, amigos distantes
Com ares de cara lavada
E roupas de cores berrantes
O que me quer esta gente ?
Porque estão a olhar p’ra mim ?
E perguntam de onde eu vim
Como se eu fosse diferente
Um café e um copo d’àgua
Na minha mesa do canto
Para afogar a minha mágoa
Sozinho no desencanto
Como o descanso do guerreiro
Neste lugar horroroso
E porque nem tenho dinheiro
O café fica mais saboroso
Aqui passei dias a fio
A escrever o mar e o rio
Agarrado a uma bica
A ver quem vai e quem fica
Enforcado de auscultadores
A rimar com os dissabores
Armado com uma caneta
Salto de cigarro em beata
Pendurado no enquadramento
Pelo menos neste momento
Tenho o direito de aqui estar
Sentado só neste lugar
Tenho o dever pessoal
De me sentar e de escrever
Isto, aquilo, etc. e tal
E tudo o que me apetecer
E assim parar de me sentir
Com vontade de partir
E mesmo sem pertencer
Ao que está a acontecer
São só meus estes momentos
A viver os pensamentos
E pensar no que vivi
Deixar-me ficar aqui
Como um camaleão disfarçado
ao sol num café de esquina
O coração bate artilhado
Uma bomba ou uma mina
Escrevo o que me propus
E da mentira faz-se luz
Não me fui ainda embora
Porque ainda não é hora
A música fez-me ficar
E escrevo até acabar.
Cheiro a diesel e cafeína
A álcool e a nicotina
E sabe-me bem assim
Com este cheiro da noite
Misturado sobre mim
No corpo como um açoite
Foi alguém com quem dormi
E até já me esqueci
Que foi ela quem me deu
Um perfume que não é o meu
Podem pensar o que quiserem
Viver a vida em aparências
Digam lá o que disserem
Não vêem as evidências
Nas costas falam de mim
Gostavam de ser assim
Despido de preconceito
Com liberdade para pensar
De cabeça erguida feito
Com muito p’ra m’orgulhar
Em vez disso limitados
Com os espíritos fechados
Faz-me pena essa doença
Mas só lhes dou indiferença
E por isso os vou deixar
Que me estão a enojar
E vou-me levantar
Lavar, barbear, escovar,
Pentear, preparar, perfumar
Que a noite me está a chamar
…e quase me fui embora daqui
Pois não gostei do que ouvi
Senti-me algo deslocado
Como que desenquadrado
Magôa o meu ar de ressaca
O aspecto lavado do povo
Ambiente cortado à faca
E eu preciso é dum ar novo
Gente que não me diz nada
Conhecidos, amigos distantes
Com ares de cara lavada
E roupas de cores berrantes
O que me quer esta gente ?
Porque estão a olhar p’ra mim ?
E perguntam de onde eu vim
Como se eu fosse diferente
Um café e um copo d’àgua
Na minha mesa do canto
Para afogar a minha mágoa
Sozinho no desencanto
Como o descanso do guerreiro
Neste lugar horroroso
E porque nem tenho dinheiro
O café fica mais saboroso
Aqui passei dias a fio
A escrever o mar e o rio
Agarrado a uma bica
A ver quem vai e quem fica
Enforcado de auscultadores
A rimar com os dissabores
Armado com uma caneta
Salto de cigarro em beata
Pendurado no enquadramento
Pelo menos neste momento
Tenho o direito de aqui estar
Sentado só neste lugar
Tenho o dever pessoal
De me sentar e de escrever
Isto, aquilo, etc. e tal
E tudo o que me apetecer
E assim parar de me sentir
Com vontade de partir
E mesmo sem pertencer
Ao que está a acontecer
São só meus estes momentos
A viver os pensamentos
E pensar no que vivi
Deixar-me ficar aqui
Como um camaleão disfarçado
ao sol num café de esquina
O coração bate artilhado
Uma bomba ou uma mina
Escrevo o que me propus
E da mentira faz-se luz
Não me fui ainda embora
Porque ainda não é hora
A música fez-me ficar
E escrevo até acabar.
Cheiro a diesel e cafeína
A álcool e a nicotina
E sabe-me bem assim
Com este cheiro da noite
Misturado sobre mim
No corpo como um açoite
Foi alguém com quem dormi
E até já me esqueci
Que foi ela quem me deu
Um perfume que não é o meu
Podem pensar o que quiserem
Viver a vida em aparências
Digam lá o que disserem
Não vêem as evidências
Nas costas falam de mim
Gostavam de ser assim
Despido de preconceito
Com liberdade para pensar
De cabeça erguida feito
Com muito p’ra m’orgulhar
Em vez disso limitados
Com os espíritos fechados
Faz-me pena essa doença
Mas só lhes dou indiferença
E por isso os vou deixar
Que me estão a enojar
E vou-me levantar
Lavar, barbear, escovar,
Pentear, preparar, perfumar
Que a noite me está a chamar
Sunday, December 26, 2004
Grito ao Infinito
Escrevo palavras soltas
A mão treme… divago
Como um navio sem leme
Perdi-me por ai
Por ruas de amargura
Lágrimas moles em pedra dura
Há música no ar
Uma triste melancolia
Não sei se chore ou se ria
Luto sem forças
Perco a luta em céu aberto
E o mar aqui tão perto
Sou um grito na noite
Um grito ao infinito
Amor maior que o próprio grito
A mão treme… divago
Como um navio sem leme
Perdi-me por ai
Por ruas de amargura
Lágrimas moles em pedra dura
Há música no ar
Uma triste melancolia
Não sei se chore ou se ria
Luto sem forças
Perco a luta em céu aberto
E o mar aqui tão perto
Sou um grito na noite
Um grito ao infinito
Amor maior que o próprio grito
Saturday, December 25, 2004
A Feiticeira
Montada na vassoura de palha
Vai voando cara enrugada
A feiticeira onde calha
Pelos homens mal amada
Traz no saco mil feitiços
Ingredientes de poção
Bigodes de gato e ouriços
Urtigas e fogo de dragão
Aterra na casa escura
Tira o manto e o chapéu
E senta-se na pedra dura
Da cozinha aberta ao céu
Está um mocho no telhado
E no vão da escada um gato
Numa viga pendurado
Pelo rabo está um rato
Cozinha para mim feiticeira
Uma poção de maldades
Lança um feitiço da eira
Sobre vilas e cidades
Vai voando cara enrugada
A feiticeira onde calha
Pelos homens mal amada
Traz no saco mil feitiços
Ingredientes de poção
Bigodes de gato e ouriços
Urtigas e fogo de dragão
Aterra na casa escura
Tira o manto e o chapéu
E senta-se na pedra dura
Da cozinha aberta ao céu
Está um mocho no telhado
E no vão da escada um gato
Numa viga pendurado
Pelo rabo está um rato
Cozinha para mim feiticeira
Uma poção de maldades
Lança um feitiço da eira
Sobre vilas e cidades
Tuesday, December 21, 2004
Fria Facada
Vejo o mundo pela rua
Passado que não esqueci
A noite eu e a lua
Vivo tudo o que senti
Como um espírito errante
Chama eterna a esmorecer
Sou uma cena de Dante
Um ser sem parecer
E volto para este quarto
No escuro da solidão
Triste saturado e farto
De sentir-me como um cão
Nunca vou voltar a ser
O homem que já não sou
Tudo pode acontecer
Mas não sei para onde vou
Estou perdido no espaço
Sem tempo para viver
Um orgulho feito de aço
Para nunca me esquecer
De tanta dor acumulada
E do meu sangue derramado
Da minha alma aprisionada
Num sonho mal apagado
Chorei, gritei quase morri
Com aquela fria facada
Só eu sei o que senti
Uma lâmina afiada
Nas costas espetada
Sem dó nem compaixão
À noite pela calada
Através do coração
Não sei como aconteceu
Vivo a vida desgraçada
Pois troquei um sonho meu
Por uma mulher malvada
Passado que não esqueci
A noite eu e a lua
Vivo tudo o que senti
Como um espírito errante
Chama eterna a esmorecer
Sou uma cena de Dante
Um ser sem parecer
E volto para este quarto
No escuro da solidão
Triste saturado e farto
De sentir-me como um cão
Nunca vou voltar a ser
O homem que já não sou
Tudo pode acontecer
Mas não sei para onde vou
Estou perdido no espaço
Sem tempo para viver
Um orgulho feito de aço
Para nunca me esquecer
De tanta dor acumulada
E do meu sangue derramado
Da minha alma aprisionada
Num sonho mal apagado
Chorei, gritei quase morri
Com aquela fria facada
Só eu sei o que senti
Uma lâmina afiada
Nas costas espetada
Sem dó nem compaixão
À noite pela calada
Através do coração
Não sei como aconteceu
Vivo a vida desgraçada
Pois troquei um sonho meu
Por uma mulher malvada
Friday, December 10, 2004
Espectro Assombrado
Sou um espectro assombrado
E percorro a noite fria
Uivam os cães a meu lado
Música que me alivia
Faço-me vestir de escuro
E trago na mente a saudade
Sinto o coração frio e duro
No ventre desta cidade
E ando perdido no tempo
Sem espaço para me encontrar
Vagueio ao sabor do vento
Sem vontade de voar
Sou um herói derrotado
Como uma nação sem hino
Caminho a passo arrastado
Com a alma sem destino
Trago a memória carregada
E o peito a explodir
Libertei-me à lei da espada
Mas não consigo fugir
Porque sou um condenado
Tenho o toque da má sorte
De coração acorrentado
Já não consigo ser forte
Sou um navio afundado
Navego à deriva sem norte
Em traições vivo afogado
Para mergulhar na morte
E percorro a noite fria
Uivam os cães a meu lado
Música que me alivia
Faço-me vestir de escuro
E trago na mente a saudade
Sinto o coração frio e duro
No ventre desta cidade
E ando perdido no tempo
Sem espaço para me encontrar
Vagueio ao sabor do vento
Sem vontade de voar
Sou um herói derrotado
Como uma nação sem hino
Caminho a passo arrastado
Com a alma sem destino
Trago a memória carregada
E o peito a explodir
Libertei-me à lei da espada
Mas não consigo fugir
Porque sou um condenado
Tenho o toque da má sorte
De coração acorrentado
Já não consigo ser forte
Sou um navio afundado
Navego à deriva sem norte
Em traições vivo afogado
Para mergulhar na morte
Locus Horrendus
Aos saltos os cadáveres dançam
Carne fétida pelo ar
Lancinantes os urros que lançam
Febris decrépitos a gritar
Bebem sangue e leite podre
Vomitam vísceras no chão
Uma mórbida alegria os cobre
Cheiram a mofo de caixão
Esta é a festa dos mortos
Eufórica morte infernal
Como uma orgia a crepitar
E os amputados de olhos tortos
No derradeiro prazer carnal
Cospem fel até sangrar
Carne fétida pelo ar
Lancinantes os urros que lançam
Febris decrépitos a gritar
Bebem sangue e leite podre
Vomitam vísceras no chão
Uma mórbida alegria os cobre
Cheiram a mofo de caixão
Esta é a festa dos mortos
Eufórica morte infernal
Como uma orgia a crepitar
E os amputados de olhos tortos
No derradeiro prazer carnal
Cospem fel até sangrar



